Destaques

II Encontro Abem


25 MAIO

II Encontro Abem

Clientes exigem empresas socialmente interventivas

A responsabilidade social das empresas é hoje vista pelos consumidores como uma obrigação.

«Numa empresa, a responsabilidade social é a plataforma que une as diferentes gerações em torno do mesmo interesse». A afirmação é de Jorge Magalhães Correia, CEO do Grupo Fidelidade, orador convidado do segundo Encontro Abem que, no dia 10 de outubro, reuniu em Águas de Moura, Setúbal, responsáveis de topo do mundo empresarial e corporativo.

Ao longo da sua palestra, Jorge Magalhães Correia procurou evidenciar o fator humano nas empresas como traço distintivo e de disrupção, em contraste com a ideia dominante de que será a tecnologia a liderar a revolução dos tempos modernos.

É impossível ignorar que a mudança acontece hoje a um ritmo cada vez mais rápido, defendeu, seja ao nível do urbanismo, climático, digital, ou mesmo pelo crescimento da informação ou ascensão da inteligência artificial. Mas, acredita o CEO do Grupo Fidelidade, «o cérebro humano não mudou, mantém-se aquilo que é essencial em nós: todos procuramos amor». Ou, em linguagem corporativa, todos procuramos alguém ou alguma coisa em que confiar.

Aos consumidores atuais não basta que vejam as suas necessidades satisfeitas. «As pessoas hoje procuram empresas com propósitos mais elevados, onde a responsabilidade social, o envolvimento na sociedade, não é uma mais-valia. É uma obrigação», disse.

O Programa Abem: Rede Solidária do Medicamento é uma das plataformas de consenso, pela missão de permitir o acesso ao medicamento aos mais carenciados, e pelo modo como o proporciona.

Foi precisamente o modelo estrutural do Abem a característica destacada por Susana Santos, do El Corte Inglés. A convidada, que participou pela primeira vez no Encontro Abem, sublinhou que há projetos excecionais pela sua capacidade de reunir os ativos de que necessitam e outros pela boa rede de distribuição. «Contudo, um programa que consiga estas duas coisas ao mesmo tempo é, de facto, extraordinário», considerou. Mais: «um programa que tem como base uma necessidade tão primária das pessoas, tem obviamente que tocar a todos. Não estamos a falar de uma necessidade específica de uma franja da população. A saúde é uma necessidade vital, verdadeiramente vital», reforçou.

«Este é um programa que faz todo o sentido, porque faz a diferença na vida das pessoas», atestou Leonor de Freitas, que integra o Comité de Fundraising da Dignitude e foi a anfitrião do Encontro Abem, na Casa Ermelinda de Freitas. Leonor vê-se como a representante do mundo rural. «Se por um lado sinto que devo dignifica-lo, por outro sei que também precisa de ajuda, e eu posso ser um elemento facilitador nesta rede solidária do medicamento».

Para Madalena Gusmão, da Caudallie, todos somos responsáveis uns pelos outros, e o Abem permite materializar esse princípio. «Vale a pena parar um bocadinho das nossas correrias e fazer um esforço para perceber que há pessoas ao nosso lado que precisam de nós, de um bocadinho de nós. Não custa nada e se todos dermos um bocadinho, acho que podemos ir mais longe», concluiu.